| 1. Objetivos
-
reconhecer as proteínas como moléculas eletricamente carregadas
-
analisar a influência do pH sobre essas cargas
-
reconhecer os grupamentos responsáveis pela solubilidade das proteínas
em água
-
identificar os agentes que podem alterar essa solubilidade
2. Introdução
Vimos
no experimento anterior que a solubilidade das proteínas em meio
aquoso deve-se, em grande parte, à distribuição das
cargas elétricas ao longo da molécula. Nesse sentido, se
a interação proteína-proteína é grande
e a interação proteína - água é pequena,
a proteína tenderá a ser insolúvel.
Uma das maneiras de promover a precipitação de uma proteína
é atingir seu ponto isoelétrico. Porém, existem outros
fatores que influem de maneira importante nessa propriedade física
das proteínas, como a ação de ácidos, bases,
sais e solventes orgânicos. Além disso, podemos incluir a
temperatura como um agente que pode ser utilizado para diminuir a solubilidade
de uma proteína.
Vamos
lá:
3. Princípios teóricos
e procedimento experimental
a)
Precipitação de proteínas por adição
de sais neutros (efeito da força iônica)
Quando
adicionamos sais neutros
a uma solução, ocorre um aumento da força
iônica do sistema. Assim, quando adicionamos pequenas quantidades
de sal a uma solução contendo proteínas, as cargas
provenientes da dissociação
do sal passam a interagir com as moléculas protéicas, diminuindo
a interação entre elas. Conseqüentemente, temos um
aumento da solubilidade da proteína no meio aquoso. as interações
proteína - proteína, favorecendo a solubilidade das mesmas.
A esse fenômeno dá-se o nome de "salting-in".
Esse efeito, porém, não se estende indefinidamente. Em condições
de elevada força iônica, decorrente da adição
de grandes quantidades de sal, temos o efeito contrário. O
que acontece?
Imagine
uma solução aquosa de proteína à qual foi
adicionada uma certa quantidade de sal neutro. A água, que apresenta
um grande poder de solvatação,
passa a interagir com as duas espécies: as proteínas e os
íons provenientes da dissociação
do sal. Porém, as moléculas de água apresentam maior
tendência de solvatação
de partículas menores (nesse caso, os íons). As moléculas
de água, ocupadas em sua interação com os íons,
"abandonam" a estrutura protéica. Como conseqüência,
temos: maior interação proteína-proteína,
diminuição da solubilidade em meio aquoso e, conseqüentemente,
precipitação da proteína. A esse fenômeno de
insolubilização da proteína em decorrência
de um considerável aumento da força
iônica do meio dá-se o nome de "salting-out".
A
precipitação de proteínas pela alta concentração
de sais é um processo muito importante para a separação
de misturas complexas de proteínas, uma vez que a concentração
de sal necessária para precipitação é diferente
para cada proteína.
a.1.
Material
|
a)
Reagentes e soluções
- solução de clara de ovo (pode ser utilizada
outra solução de proteína)*
-
solução saturada de sulfato de amônio
[(NH4)2SO4]**
-
solução de NaCl
-
água destilada
|
|
b) Vidraria e instrumental
- 01 tubo de ensaio
- pipetas (vidro ou plástica)
|
|
*
Preparo da solução de clara
de ovo: 1 volume de clara + 4 volumes de NaCl 1%
**
Preparo da solução saturada de (NH4)2SO4:7,7g
do sal em 10 ml de água destilada
a.2.
Procedimento
1.
Em um tubo de ensaio, colocar 2 ml da solução de proteínas;
2. adicionar, deixando escorrer pelas
paredes do tubo, 2 ml da solução de sulfato de amônio;
3. observe.
4. Misture o conteúdo do tubo
(por inversão) e anote os resultados.
5. Repita as etapas anteriores usando
NaCl ao invés de (NH4)2SO4. O que você observou?
|
|
b)
Precipitação por sais de metais pesados e por ácidos
fortes
Os
cátions de
metais pesados como Hg2+, Pb2+,
Cu2+, Fe2+, Cd2+ e Zn2+ formam
precipitados insolúveis de proteínas, denominados de acordo
com o elemento formador (exemplo: proteinato de mercúrio, proteinato
de chumbo, etc.). Essa precipitação é mais intensa
quando o pH está
acima do ponto isoelétrico
(pI). Isso porque, acima do pI, a carga líquida
sobre a proteína é negativa (ver determinação
do ponto isoelétrico da caseína), favorecendo
a interação com os cátions provenientes do sal.
Então
não é possível promover a precipitação
de uma proteína abaixo do ponto isoelétrico?
A
resposta correta seria: não com sais... A precipitação
abaixo do ponto isoelétrico pode ser feita, sim, mas através
da adição de ácidos fortes.
Comparando
com o mecanismo anterior: quando a proteína está abaixo
do seu pI, a carga líquida total da molécula é positiva.
Isso facilita a interação da molécula com os
ânions provenientes de ácidos
como o tunguístico, o fosfotunguístico e pírico.
Nas
duas situações o precipitado pode ser ressolubilizado através
de alterações do pH.
b.1.
Material
|
a)
Reagentes e soluções
-
solução de proteínas preparada acima
-
solução de (CH3COO)2Pb.3H2O (acetato de chumbo)
a 20%
-
solução de ácido tricloroacético
(CCl3COOH) 10%
- água destilada
|
|
b) Vidraria e instrumental
- 01 tubo de ensaio
- pipetas (vidro ou plásticas)
|
|
b.2.
Procedimento
a) Precipitação por sais de metais
pesados
1.
Em um tubo de ensaio, colocar 1ml da solução de proteínas;
2.
adicionar 0,5 ml da solução de acetato de chumbo
3.
adicionar 5 ml de água destilada;
4.
observe e interprete os resultados. |
|
b) Precipitação por
ácidos
Repita
o procedimento anterior, substituindo a solução de acetato
de chumbo pela solução de ácido tricloroacético
a 10%.
c) Precipitação
por ação do calor (desnaturação)
As
proteínas possuem uma estrutura tridimensional
(conformação) bem definida, da qual dependem fundamentalmente
suas propriedades físicas, químicas e biológicas.
Essa estrutura é relativamente sensível à ação
do calor, que causa desorganização das cadeias
peptídicas, com conseqüente alteração
conformacional. Esse fenômeno recebe o nome de desnaturação,
e altera as estruturas quaternária, terciária e secundária
da proteína sem afetar sua estrutura primária.
A
desnaturação promove alterações que diminuem
a solubilidade da proteína, levando à sua precipitação.
Essa precipitação é máxima no ponto isoelétrico
da proteína e pode sofrer alterações pela adição
de sais.
c.1.
Material
|
a)
Reagentes e soluções
- solução
de proteínas
|
b) Vidraria e instrumental
- 01 tubos de ensaio
- pipeta (vidro ou plástica) |
c.2.
Procedimento
1. Colocar 5 ml da solução de proteínas em um
tubo de ensaio;
2. deixar o tubo em banho-maria
fervente por 5 minutos (o tubo também pode ser aquecido direto
na chama de um bico de Bunsen);
3. retire o tubo do banho, observe
e anote os resultados. |
|
d)
Precipitação das proteínas por solventes orgânicos
A
solubilidade das proteínas em solventes orgânicos
é menor do que em água. Isso acontece porque a capacidade
de interação com as partículas de soluto
é diferente para cada solvente. A grandeza que mede a capacidade
de interação do solvente com o soluto é denominada
constante dielétrica. A água
apresenta constante dielétrica bastante elevada (aproximadamente
80). Mas o que isso quer dizer?
Vamos
utilizar novamente a imaginação. Numa solução
contendo, exclusivamente, água e moléculas protéicas
temos: interação água - proteína e interação
proteína-proteína. Nesse caso, podemos afirmar com certeza
que o primeiro tipo de interação prevalecerá sobre
o segundo porque a água possui grande capacidade de separação
das partículas do soluto (constante dielétrica elevada).
Para os solventes orgânicos a situação é um
pouco diferente... Como esse tipo de solvente apresenta valor de constante
dielétrica bem inferior à da água, a interação
proteína-proteína "vence" o poder de solvatação
da água (interação água-proteína).
A proteína precipita.
A
precipitação por solventes orgânicos depende muito
da temperatura. Os solventes orgânicos, quando utilizados a temperaturas
baixas, são bastante úteis na separação de
misturas de proteínas. A temperaturas mais elevadas esses solventes
podem levar à desnaturação por rompimento das pontes
de hidrogênio e estabelecimento de interações
apolares, importantes na manutenção da conformação
protéica.
c.1.
Material
|
a)
Reagentes e soluções
-
solução de proteínas
- etanol (CH3CH2OH) 95% gelado
- acetona (CH3COCH3) gelada
- cloreto de sódio (NaCl)
sólido
- água destilada
|
|
b) Vidraria e instrumental
- 04 tubos de ensaio
- pipetas (vidro ou plásticas)
|
|
c.2. Procedimento
OBS:
trabalhar a baixa temperatura
1.
Tome dois tubos de ensaio e coloque, em cada um, 2 ml da solução
de proteínas;
2.
adicionar 4 ml de etanol gelado a cada tubo;
3.
agite;
4.
em um dos tubos, coloque uma pequena quantidade de NaCl sólido,
sob agitação;
5.
observe e responda: qual o efeito do álcool sobre a proteína
na presença e na ausência do eletrólito?
6.
Adicione 6 ml de água destilada e observe.
7.
Repita as etapas anteriores substituindo o etanol pela acetona;
8.
compare os resultados. |
|
|