Determinação do ponto isoelétrico da caseína
Antes de iniciar essa prática, algumas leituras são sugeridas:

Introdução às proteínas

1. Objetivos

          - reconhecer as proteínas como moléculas eletricamente carregadas
          
- analisar a influência do pH sobre a distribuição dessas cargas

2. Introdução

          Os aminoácidos apresentam dois grupos que são passíveis de sofrer protonação (adição de H) e desprotonação (retirada de H). Observe:

          A figura demonstra as etapas de ionização em que podem ser encontrados os aminoácidos:
          1. Forma positivamente carregada.
          2. Forma eletricamente neutra. Note que existe uma densidade de carga negativa e uma densidade de carga positiva sobre a molécula, conferindo carga total nula. Essa forma também é denominada isoelétrica ou zwitteriônica.
          3. Forma negativamente carregada

          Essas formas são encontradas em maior ou menor quantidade dependendo do pH em que a solução do aminoácido se encontra. Isso porque quanto menor o valor de pH, maior a concentração de íons H+ em solução e, conseqüentemente, maior a prevalência da forma positivamente carregada (1). Em contrapartida, quanto maior o valor de pH, menor a quantidade de íons H+ em solução, havendo prevalência da forma negativamente carregada (3). A forma eletricamente neutra (2) só poderá existir, então, numa condição de pH intermediária à existência predominante da forma positiva e negativa do aminoácido. Esses valores de pH podem ser facilmente determinados experimentalmente e também podem ser estendidos às proteínas, ou seja: as proteínas também apresentam uma distribuição de cargas, que pode ser alterada em função do pH.
O ponto onde a carga líquida total da molécula de aminoácido ou proteína é nula é tão importante, que recebeu uma denominação especial. Assim, o valor de pH onde existe equivalência entre as cargas positivas e negativas da molécula é denominado PONTO ISOELÉTRICO.

Mas por que o ponto isoelétrico é tão importante??

          A solubilidade das proteínas, como veremos mais adiante, depende de vários fatores. Dentre eles, destaca-se a presença das cargas elétricas ao longo da molécula. A existência de uma carga positiva ou negativa determina a interação com o meio aquoso, além de estabelecer um estado de repulsão entre as próprias moléculas de proteína, aumentando a interação com o solvente e, conseqüentemente, favorecendo a solubilidade .
Com vimos, no ponto isoelétrico existe um equilíbrio entre o número de cargas positivas e negativas, o que gera uma situação em que as forças de repulsão entre as moléculas de proteína e as forças de interação com o solvente são mínimas. Assim, as proteínas vão formando aglomerados que, cada vez maiores, tendem a precipitar.
É importante destacar que essa diminuição de solubilidade varia de proteína para proteína.

3. Procedimento experimental


          A parte experimental está dividida em três momentos, a saber:

          
3.1. extração da caseína do leite
          
3.2. preparo de uma solução de caseína
          
3.3. determinação do ponto isoelétrico da caseína

          3.1. Extração da caseína do leite

          3.1.1. Material

        a) Reagentes e soluções

        - leite
        - solução de ácido acético (CH3COOH) 2M
        - etanol (CH3CH2OH) 95% (v/v)
        - éter etílico (CH3CH2OCH3CH2)

  b) Vidraria e instrumental
          
- béquer de 250 mL
- proveta de 100 mL
- conta-gotas
- funil e papel de filtro

        3.1.2. Procedimento

          1. Aquecer 150ml de água destilada a 38oC;
          2. adicionar 50 ml de leite e misturar bem;
          3. à solução acima, gotejar a solução de ácido acético, até o aparecimento de um precipitado abundante           (aproximadamente 0,7ml do ácido);
          4. deixar descansando durante, aproximadamente, 20 minutos para sedimentação da proteína;
          5. separar o sobrenadante por decantação;
          6. ao precipitado, adicionar 20ml de etanol e misturar bem;
          7. filtrar (ou, se possível, centrifugar) e desprezar o filtrado (só interessa o precipitado);
          8. adicionar, ao precipitado, 5ml de éter etílico e misturar;
          9. decantar o sobrenadante e secar o precipitado (caseína) em papel de filtro.

     
 
 
Home
Aspectos teóricos
Atividades Experimentais
Bibliografia
 
Contato