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1. Objetivos
-
pesquisar a presença de ligações do tipo éster
nas moléculas dos óleos e gorduras;
- conhecer
a reação de produção de sabão partir
dos óleos e gorduras;
- pesquisar
o comportamento dos sabões em soluções aquosas contendo
ou não óleos e gorduras;
- reconhecer
as características de uma emulsão e sua importância
na produção de alimentos.
2. Princípios teóricos
Dentre
os lípides mais abundantes na natureza encontramos os óleos
e as gorduras. Como vimos, essas substâncias são formadas
a partir da associação de uma molécula de glicerol
com três unidades de ácidos
graxos (AG). Por esse motivo, os óleos e as gorduras
são ésteres de glicerol
ou, ainda, triglicerídeos (TG) e triacilglicerídeos. Lembrou??
Não?? Então clique aqui
para visualizar um exemplo.
Se
os triglicerídeos são formados por ácido graxos,
é fácil concluir que o processo inverso, a hidrólise,
de um TG origina uma mistura de ácidos graxos. A hidrólise
do óleo de soja, por exemplo fornece uma msitura de diferentes
ácidos graxos:
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ÁCIDO
GRAXO
|
%
|
|
ácido mirístico
|
0,1
|
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ácido palmítico
|
10,5
|
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ácido esteárico
|
3,2
|
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ácido oléico
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22,3
|
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ácido linoléico
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54,5
|
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ácido linolênico
|
8,3
|
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ácido araquídico
|
0,2
|
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ácido eicosanóico
|
0,9
|
Uma
maneira de conseguir a "quebra" da molécula do TG em
seus ácidos graxos é através do traatamento com soluções
alcalinas concentradas a quente. Essa reação tem
como resultado a liberação do glicerol e formação
de sais de ácidos graxos, originados pela incorporação
do sódio à molécula de ácido graxo.
Esses sais são os SABÕES
e a reação, que é denominada SAPONIFICAÇÃO,é
a via de fabricação dos sabões encontrados comercialmente.
Veja um exemplo de sabão que pode ser formado a partir da hidrólise
do tripalmitil-glicerol, um dos constituintes do óleo de soja:

O exemplo
acima demonstra a formação de um sal de sódio. Os
sabões constituídos por sais de sódio (Na+) e de
potássio (K+) são solúveis. Em contrapartida, os
sais de cálcio (Ca2+) e magnésio (Mg2+), formados a partir
da reação do lipídeo com Ca(OH)2 e Mg(OH)2,
respectivamente, são insolúveis e precipitam. A precipitação
é muito útil no processo de purificação dos
sabões e também pode ser feita por adição
de ácido forte (como o HCl) ou NaCl.
Qual
é a importância dos sabões para a nossa vida diária??
Se
observarmos bem molécula de uma sabão, veremos que ela é
constituída por duas porções que apresentam características
distintas:
Por
ser formada por íons, a extremidade carboxílica do sabão
é altamente polar e, por esse motivo,
tende a se dissolver em água. Podemos dizer que essa porção
da molécula possui caráter hidrofílico
(que significa ávido por água). Em contrapartida,
a longa cadeia carbônica (a unidade -CH2 se repete 14
vezes!!!) apresenta acentuado caráter apolar,
sendo denominada porção hidrofóbica
da molécula (hidrofóbico significa "avesso"
à água). A essas moléculas, que apresentam caráter
hidrofílico e hidrofóbico, polar e apolar, ao mesmo tempo,
dá-se o nome de anfóteras.
Elas podem ser representadas da seguinte forma:
Quando
um sabão entra em contato com a água, as porções
hidrofóbicas de suas moléculas assumem uma conformação
que as protege do contato com as moléculas de água (altamente
polares). A essa conformação dá-se o nome de MICELA.
As moléculas
que apresentam caráter anfótero, então, podem interagir
simultaneamente com a água e com substâncias de caráter
hidrofóbico, como as gorduras e os óleos.
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PARA
PENSAR: Com
a ajuda das moléculas anfóteras, é possível
unir água e óleo numa mistura homogênea??
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3. Procedimento Experimental
3.1.
Material
Parte
I: Reação de Saponificação
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a)
Reagentes e soluções
-
óleo de soja
- solução
alcoólica de NaOH 10% *
- água destilada
|
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b)
Vidraria e instrumental
- béquer de 50 mL
- pipeta de 2 mL
-
pipeta de 10 mL
-
proveta de 25 mL |
| * Preparo da solução
alcoólica de NaOH a 10%: dissolver 100g de NaOH em uma
quantidade mínima de água destilada. Em seguida, adicionar
etanol (CH3CH2OH) 95% até completar o volume de 100ml. |
Parte II: Formação
de sabão insolúvel
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a)
Reagentes e soluções
-
solução
de sabão preparada na parte I
- solução
de cloreto de sódio 35% (NaCl 35%)
- solução
de cloreto de cálcio 10% (CaCl2 10%)
- ácido
clorídrico 0,1N (HCl 0,1N)
|
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b)
Vidraria e instrumental
- 03 tubos de ensaio
- pipeta de 2 mL
- conta-gotas ou pipeta Pasteur
|
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Parte
III: Estabilização de uma emulsão
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a)
Reagentes e soluções
-
óleo de soja
- solução
de sabão preparada na parte I
- água destilada
|
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b)
Vidraria e instrumental
- 02
tubos de ensaio
- pipeta de 1 mL
- pipeta de 10 mL
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b) Procedimento
Parte
I: Reação de Saponificação
1.
Colocar,em um béquer de aproximadamente 70ml, 2 ml de óleo
de soja;
2. adicionar
10 ml da solução de NaOH 10%;
3. aquecer
em banho a 80oC até que a fase líquida desapareça
e seja formada uma camada levemente endurecida;
4. acrescentar
20ml de água destilada e agitar até a completa dissolução
do sabão (talvez seja preciso aquecer levemente a mistura).
5. observe
e anote os resultados.
Parte
II: Formação de sabão insolúvel
1.
Numerar três tubos de ensaio e proceder de acordo com a tabela abaixo:
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TUBO 1
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TUBO 2
|
TUBO 3
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|
solução de sabão*
|
2 ml
|
2 ml
|
2 ml
|
|
solução de NaCl
|
5 gotas
|
-
|
-
|
|
solução de HCl
|
-
|
5 gotas
|
-
|
|
solução de CaCl2
|
-
|
-
|
5 gotas
|
* Se necessário, leve a mistura (sabão) obtida na parte I
novamente ao banho-maria para dissolução.
2.
misturar por agitação e deixar em repouso por alguns minutos;
3. observe
os resultados.
Parte
III: Estabilização de uma emulsão
1.
Numerar dois tubos de ensaio e proceder de acordo com a tabela abaixo:
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TUBO 1
|
TUBO 2
|
|
óleo de soja
|
0,5
ml
|
0,5
ml
|
|
água destilada
|
10
ml
|
-
|
|
solução de sabão
|
-
|
10
ml
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2.
agitar vigorosamente os tubos por inversão;
3. observe
os resultados imediatamente;
4. deixar
em repouso por 10 minutos e anotar os resultados.
Como vimos,
a saponificação baseia-se na adição de uma
base forte ao sistema contendo os triglicerídeos. Assim, se pudermos
determinar a quantidade de base necessária para saponificar todo
o conteúdo lipídico de uma amostra (o que pode ser feito
através da simples titulação com um ácido),
teremos o chamado Índice de Saponificação (I.S).
Esse índice é definido como a massa de base necessária
para saponificar 1g de óleo, e é muito útil na caracterização
do óleo ou gordura.
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